Aplicações da tecnologia Blockchain pelo mundo

Muito se fala sobre tecnologia blockchain ou distributed ledger. Quem cuida dos investimentos pessoais avalia se vale a pena investir em bitcoins e quem gosta de tecnologia acompanha a evolução das criptomoedas. Já os governos, por sua vez, tentam regulá-las e tributá-las.

O mercado financeiro está muito interessado nesse assunto, mas distributed ledgers têm outros potenciais e vários setores da economia têm cogitado explorar distributed ledger networks.

O Hyperledger Project da Linux Foundation pretende dar suporte a uma ampla gama de casos de negócios. Existem grupos de trabalho focados no setor financeiro, na área da saúde e em identidades. Dentro desta perspectiva a administração pública é um setor que tem acompanhado a evolução do blockchain. E com ênfase neste setor, seria possível dar uma volta ao mundo.

Iniciando pela Oceania. Um relatório do governo australiano publicado em janeiro, ao falar sobre a agenda de modernização de suas transações comerciais, diz que tecnologias emergentes, como blockchain, melhoram a capacidade de avaliação de risco e coleta de receita. O relatório também descreve que o Departamento de Assuntos Internos (DOI) está avaliando como levantar informações mantidas em um blockchain para o comércio, pois dentro do contexto de comércio internacional, o blockchain reduz a quantidade de documentação e dá mais visibilidade em tempo real, melhorando a informação disponível para análise de risco, aumentando a segurança e a eficiência nas inspeções de fronteira.

Indo na direção noroeste, na Ásia, há o Projeto Ubin. A autoridade monetária de Singapura se desafiou a utilizar tecnologia blockchain que permita entidades de jurisdições diferentes a fazerem pagamentos entre si, sem intermediários, resultando em maior velocidade e eficiência e com menores riscos e custos.

Movendo-se em direção a leste, Gana seria um caso africano. Um projeto piloto com 28 comunidades de Kumasi, uma das maiores áreas metropolitanas do país, quer demonstrar como um blockchain público pode disponibilizar à população pesquisas de títulos de propriedade de terra. Isso pretende reduzir o problema crônico de Gana que é a disputa de terras.

Subindo para o norte, a Holanda está associando Internet das Coisas com blockchain para reduzir os roubos de bicicletas, meio de transporte tão popular no país. Cadeados inteligentes têm localização e estados atualizados na rede em tempo real. Se houver roubo, o dono da bicicleta registra a ocorrência no blockchain e tanto a polícia quanto a empresa de seguros são notificados, já que também fazem parte desta rede. Com a validação da polícia, seguindo o smart contract de blockchain, a seguradora verifica se o dono da bicicleta é elegível a indenização.

Seguindo para o leste, nos Estados Unidos, há um outro caso. Os cidadãos do estado de Illinois terão suas identidades registradas no blockchain pelo processo de registro de nascimento. A administração pública verificará as informações dos cidadãos requerendo acesso criptografado aos dados. Isso reduzirá a necessidade de diferentes órgãos criarem e manterem seus próprios banco de dados.

Ao descer para a América Latina, por fim, um caso brasileiro. O município de Pelotas, no estado do Rio Grande do Sul, tem um projeto piloto de registro de imóveis. Apesar de ainda ser preciso exames adicionais sobre a solução, este piloto proporcionará transações mais seguras, maior eficiência e redução das fricções de transações de imóveis.

Certamente muito ainda está por vir. À medida que os projetos citados (e tantos outros não citados) se desenvolverão, haverá mais base para avaliar como a tecnologia está mudando o gerenciamento de dados como hoje se conhece.

  • escrito por Breno Neves de Arruda Santos