[:pb]Blockchain no setor público[:]

[:pb]27 milhões – o número de resultados da pesquisa por ‘blockchain’. 6 milhões de resultados apresentados para ‘o que devo saber sobre blockchain’. Em um artigo recente no TechCrunch, Jason Rowley observa que, nos últimos 14 meses, ‘blockchain e startups relacionadas levantaram cerca de US$ 1,3 bilhão em rodadas tradicionais de capital de risco em todo o mundo’; e que, somente para as ICOs, quase US$ 4,5 bilhões foram levantados[1]. Independentemente do seu foco em relação a essa tecnologia em rápida evolução, seja conhecimento geral, estruturas tecnológicas, políticas e governança, defesa social, ou normas, o volume e a abrangência das informações são impressionantes, e a qualidade do conteúdo é altamente variável em teor e utilidade.

Como as organizações do setor público podem navegar nesse espaço e saber se, como e quando focar energia e recursos? Responder às quatro perguntas a seguir oferece um ponto de partida.

Quatro perguntas norteadoras

1 – Que problema você está tentando resolver? Pode parecer muito direto. Entretanto, manter a descrição do problema no centro das atenções durante sua análise pode ser um desafio, dependendo do seu foco.

2 – Como a tecnologia blockchain pode abordar esse problema de maneira mais eficiente e eficaz do que métodos alternativos?

3 – Quando você deve começar a investir tempo e energia?

4 – Sua organização apoia uma abordagem experimental e colaborativa quando se trata de novas tecnologias?

UM – Que problema você está tentando resolver?

Problemas envolvendo o rastreamento da origem, manutenção de registros interorganizacionais e inclusão de múltiplos usuários[2] representam a natureza real da capacidade e do potencial para o blockchain.

Em um artigo publicado em janeiro no ‘Trends Statement’, Paul Embley (CIO, National Center for State Courts) e Di Graski, (Consultor do NCSC) afirmam que a tecnologia blockchain ‘poderá ser usada em breve de várias maneiras inovadoras para resolver os desafios de armazenamento de registros legais’. Eles chamam a atenção especialmente para os julgamentos, mandados e históricos criminais legais — gestão de registros de alto risco envolvendo vários participantes e transferências de responsabilidade, incluindo autoridades policiais, tribunais, sursis e condicional, e fornecedores de informações externos.

No último Simpósio do IJIS em fevereiro, os participantes de um workshop sobre casos de uso de blockchain identificaram os casos de uso, incluindo a gestão digital de ativos, mandados de prisão, medidas protetivas, e a gestão de registros de histórico criminal.

Além disso, 114 projetos de casos de uso foram coletados em fóruns realizados pela Government Services Administration (GSA) em julho e setembro de 2017, com a participação de representantes do governo, do setor e acadêmicos. A GSA reconhece que essas são apenas ideias iniciais e que outras tecnologias podem ser mais apropriadas. As iniciativas atuais do governo federal e estadual dos EUA incluem o CDC (gerenciamento de crises), DoD (cadeia de suprimentos digital), USFDA (troca segura de dados de saúde), GSA (contratos Schedule 70), HHS (gerenciamento eletrônico de registros de saúde), HS (pesquisa de capacidades), NIST (pesquisa), Marinha dos EUA (troca segura de dados), OPM (registros de funcionários), USPS (identidade, cadeia de suprimentos), Departamento de Estado (diplomacia e objetivos de desenvolvimento), Delaware (contratos inteligentes), Illinois (prestação de serviços), Tesouro dos EUA (automação de processos).[3]

DOIS – Como a tecnologia blockchain pode solucionar o seu problema?

A tecnologia blockchain oferece uma maneira para as organizações manterem registros precisos, transparentes, seguros e auditáveis, que contêm informações pertinentes apenas à sua organização (vinculadas a transações de blockchain), e informações críticas comuns a todas as organizações participantes.

Em termos simples, o blockchain pode ser descrito como ‘registros descentralizados compartilhados utilizados para a) armazenar informações sobre a propriedade de ativos e b) armazenar códigos que podem ser executados sem depender de um proprietário centralizado’. É claro que isso fica complicado rapidamente quando se começa a pensar sobre qual estrutura usar, custo/benefício, aspectos organizacionais, etc.

Existem muitas estruturas de decisão que estão evoluindo para ajudar a avaliar se a tecnologia de blockchain é a solução correta. O WEF publicou um artigo útil em seu recente informe técnico ‘Blockchain Beyond the Hype’ (‘Blockchain: além do alarde’).[4]

O Grupo de Trabalho Blockchain do Conselho Americano de Tecnologia (ACT) e do Conselho Consultivo da Indústria (IAC) produziram um ‘Manual’ para apoiar o Governo Federal que abrange atividades-chave além da tecnologia, incluindo gestão, pessoas, processos e aquisições.[5]

TRÊS – Quando devo começar a investir tempo e energia?

A resposta resumida é agora e ainda não!

Em um relatório de pesquisa do WEF, envolvendo 800 executivos do setor e de tecnologia em setembro de 2015[6], 73,1% dos entrevistados previram que, em 2025, os impostos serão recolhidos pela primeira vez pelo governo usando a tecnologia blockchain, e 57,9% dos entrevistados preveem que 10% do produto interno bruto mundial será armazenado usando a tecnologia blockchain.

Há muitos exemplos de serviços financeiros, cadeia de suprimentos e serviços de saúde em que os pilotos de blockchain estão concluídos ou em andamento.9 A maior transportadora do mundo, a Maersk, trabalha com a IBM usando a estrutura Hyperledger Fabric para fornecer uma plataforma de comércio global para todo o setor.[7] No setor público, o Registro de Títulos do Condado de Cook conduziu um estudo piloto usando o blockchain para facilitar as transações e o gerenciamento dos registros de propriedades.[8]

Apesar do enorme investimento e de toda a atividade descrita acima, o blockchain, como tecnologia, é imaturo e está em rápida evolução. Para cada proponente existe um crítico e até mesmo os proponentes reconhecem que ainda existem desafios sérios que precisam ser resolvidos. Por exemplo, as preocupações sobre a divulgação de dados pessoais invocam a resposta da identidade autossoberana para colocar o controle dos dados nas mãos do proprietário. No entanto, não são abordadas questões de privacidade, especialmente em relação ao novo Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR), que entrará em vigor no final de maio. Reconhecer que essa é uma área de investigação importante, os pesquisadores do MIT estão se concentrando na privacidade, por meio de seu conceito de ‘contratos secretos’ em seu projeto Enigma.[9]

Para o blockchain, as normas estão apenas começando a emergir, facilitadas por organizações como o projeto Hyperledger, fundado sob a égide da Fundação Linux em 2016[10] — sete anos depois que o bloco gênese do Bitcoin foi publicado.7 É reconfortante que a visão do Hyperledger[11] é seguir uma abordagem semelhante à que foi adotada no início da Internet, envolvendo-se com organizações normativas (W3C, IETF, ISO) e organizações de governança (ICAAN, IANA).

Independentemente do nível de atividade e investimento, e do potencial do blockchain para resolver problemas complexos, as organizações do setor público têm tempo para um envolvimento calculado e pensado. Pense na história da internet e nos meros vinte e seis anos a partir de quando os primeiros computadores centrais foram juntados, em 1968, para estabelecer o WC3!

QUATRO – Apetite organizacional por colaboração e inovação

As organizações do setor público têm a oportunidade de influenciar e moldar a tecnologia por meio da participação em todos os níveis. Embora você possa não estar pronto para investir ativamente na tecnologia blockchain, você pode começar a abordar a educação, na compreensão da tecnologia e das ferramentas de avaliação para casos de uso; participando ativamente no projeto Hyperledger, desenvolvendo sua abordagem de política e governança, e contribuindo para o desenvolvimento de padrões.

Para a gestão de registros, a confiança pode ou não estar em disputa ainda, já que sistemas diferentes, registros diferentes (ainda que relacionados) usados para diferentes fins, diferentes modelos de financiamento de tecnologia e políticas diferentes, sugeririam adotar a abordagem de ‘pequenas partes, frouxamente unidas’ de David Weinberger, e indicam que pode valer a pena experimentar com o blockchain, supondo que isso pode ser feito usando uma abordagem ‘fast-to-fail’.

Caso você não tenha os recursos internos para experimentar, existem muitas empresas de tecnologia, incluindo a Thomson Reuters, com laboratórios de inovação dedicados projetados para promover a colaboração com o cliente e a experimentação do ‘quick to fail’. A Thomson Reuters já demonstrou sucesso no setor de serviços financeiros, fornecendo dados de mercado por meio do BlockOne IQ (para o Quorum), para que o JP Morgan e o National Bank of Canada testassem um aplicativo de emissão de dívidas nos mercados financeiros dos EUA.[12]

RESUMO
Em resumo:
Foco no problema: há muitos casos de uso em potencial.
O blockchain é apenas um registro descentralizado compartilhado usado para a) armazenar informações sobre a propriedade de ativos e b) armazenar códigos que podem ser executados sem depender de um proprietário centralizado.
Envolva-se agora, por meio de: educação, participação em organizações normativas, colaboração em pesquisa acadêmica, desenvolvimento de políticas e governança, parcerias em experimentos de falha rápida.[:]