GrowthTech cria serviço para imóveis focado em empresas; CNJ acabou com atendimento a cartórios

Quando o Provimento 100 da Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) foi editado, em maio passado, jogou uma bomba sobre a GrowthTech, startup que se especializou em registros e contratos digitais por blockchain para o setor imobiliário.

A nova regra, que criou uma reserva de mercado, determinou que os cartórios passassem a usar serviços digitais só do Sistema de Atos Notariais Eletrônicos, o e-Notariado. Com isso, os serviços da empresa para mais de 100 cartórios foram interrompidos e o faturamento secou.

Mas, a startup, que em janeiro recebeu aportes da Gear Ventures e do grupo imobiliários RTSC, aproveitou o aumento das assinaturas digitais de contratos causado pela pandemia do Covid-19 e criou o PropLedgders. O serviço permite a geração, assinatura e registro de contratos imobiliários privados em blockchain e deve ser testado a partir de agosto.

 É a digitização do processo, disse ao Blocknews Hugo Pierre Furtado, fundador e CEO da empresa. É digitização porque tudo é feito eletronicamente, sem papel, inclusive o contrato. Ao contrário de digitalização, que é passar algo físico para o digital e que é o oferecido por seus concorrentes, diz ele.

Blockchain e foco no setor imobiliário

A digitização, o uso de blockchain e o fato de ser uma plataforma focada no mercado imobiliário são os diferenciais do PropLedgers em relação a seus concorrentes, afirma Furtado. “O que estamos fazendo já estava nos planos para o futuro. Mas estávamos dando prioridade para o segmento de cartórios, que era um nicho descoberto. “

Por ser focado no setor imobiliário, a plataforma tem  modelos pré- formatados de contratos e a possibilidade de uma incorporadora gerar o próprio contrato, exemplifica. O público alvo é o das incorporadoras, construtoras, fundos imobiliários e imobiliárias.

O plano da startup é atender o maior número possível de incorporadoras. Já há conversas avançadas para pilotos na seguinte quizena de agosto e espera-se recuperar o período sem faturamento por conta da interrupção dos serviços aos cartórios. A empresa chegou a faturar R$ 500 mil por mês.

“Tivemos que nos reinventar”

“O Provimento 100 teve um impacto absurdo e tivemos de nos reinventar, afirmou Furtado. Tínhamos 146 cartórios plugados em nossa plataforma, que não puderam mais usá-la. Entendemos que tínhamos de focar no mercado privado.”

A perspectiva com o PropLedgers é boa porque o movimento que a pandemia gerou de contratos e assinaturas eletrônicas não tem mais volta, mesmo que o mundo retorne a uma rotina normal, diz ele. Além diso, a empresa sempre acreditou na força do mercado imobiliário para seus produtos, que mesmo em épocas de crise responde por uma boa fatia do PIB.

Há mais um fator importante e que diminuiu os riscos: como o serviço é para atores privados, não precisa de regulação. Desde que as partes definam que o processo será eletrônico, tem valor, conforme diz o artigo 10 da Medida Provisoria nº 2.200-2 de 24 de Agosto de 2001.

Digitização de vendas

Para a startup, um outro passo do mercado será a digitização dos stands imobiliários. Ao invés de ir na imobiliária com uma pasta de papéis, tudo será feito no formato eletrônico. “Tem incorporadora que quer ter um portal onde o cliente escolhe imóvel e faz tudo de forma eletrônica nesse stand de vendas”, disse.

As empresas que vão utilizar o PropLedgers serão um nó da rede ou estarão sob um nó. Se for uma pessoa física que compra um imóvel, recebe uma notificação de um contrato eletrônico por email, cria uma identidade digital na rede e assina por certificado digital ou QR Code. “É o nó que paga o serviço para a GrowthTech. O custo será variável e está em estudo, mas para um contrato com assinatura deve ser de em média R$ 70.

Para criar o novo serviço, a Growthtech aproveitou a mão de obra que já tinha. Na parte técnica, a rede já tinha uma pre arquitetura definida para suportar esse serviço.

fonte: https://www.blocknews.com.br/index.php/2020/07/10/growthtech-cria-servico-para-imoveis-focado-em-empresas-cnj-acabou-com-atendimento-a-cartorios/